O zumbido no ouvido, aquele chiado, apito ou assobio percebido sem uma fonte sonora externa, é mais comum do que se imagina. Estima-se que mais de 28 milhões de brasileiros convivam com algum grau do sintoma, segundo levantamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), a orientação é clara: quando o zumbido persiste ou vem acompanhado de outros sinais, ele merece avaliação especializada.
Conhecido na literatura médica como “tinnitus”, o zumbido não é uma doença em si, mas um sintoma que pode surgir em qualquer idade e estar ligado a diversas causas. As mais frequentes são a perda auditiva, a exposição prolongada a sons altos, o acúmulo de cera no canal auditivo, alterações metabólicas como diabetes e hipertensão e fatores emocionais, como ansiedade e distúrbios do sono. Em muitos casos, mais de uma causa se combina em um mesmo paciente.
“O zumbido é um sinal de que algo no sistema auditivo, ou em conexão com ele, merece ser investigado. Ouvir a história de cada paciente é o ponto de partida para chegar à causa e ao tratamento certo”, explica Dra. Magali Saraiva, chefe do serviço de otorrinolaringologista do HSVP.
Investigação começa com a escuta
O caminho até o diagnóstico começa na consulta, com uma conversa detalhada sobre quando o zumbido surgiu, se é constante ou passageiro, se atinge um ou os dois ouvidos e se vem acompanhado de tontura, dor ou queda na audição. A partir daí, o exame mais comum é a audiometria, que avalia a capacidade auditiva e ajuda a identificar se há relação entre o sintoma e alguma perda de audição. Em situações específicas, exames complementares, como avaliações de imagem ou de sangue, ajudam a descartar outras condições e a direcionar a conduta.
Esse cuidado ganha importância diante do impacto que o zumbido pode ter na rotina. Quando persistente, o sintoma interfere no sono, na concentração e no bem-estar emocional, podendo se associar a quadros de ansiedade e depressão. Por isso, tratá-lo é também cuidar da qualidade de vida.
Cuidado que vai além do som
Embora nem sempre exista uma cura definitiva, há diversas formas de aliviar o zumbido e reduzir seu impacto no dia a dia. As opções variam conforme a causa identificada e podem incluir desde a remoção da cera acumulada e o uso de aparelhos auditivos, até o controle de fatores associados, como ansiedade e doenças metabólicas que podem desencadear ou agravar o zumbido.
Pequenas mudanças de hábito também fazem diferença na prevenção e no controle do sintoma: manter o volume dos fones em níveis seguros, com pausas ao longo do dia, cuidar do sono, moderar o consumo de cafeína e álcool e evitar o uso de cotonetes, que empurram a cera para o fundo do canal auditivo.
Conviver com o zumbido não precisa ser uma rotina silenciosa de desconforto. Quando o sintoma persiste e começa a pesar no sono, na concentração e no humor, é hora de procurar orientação especializada. No Hospital São Vicente de Paulo, esse cuidado começa por uma escuta atenta: compreender a história por trás de cada queixa para encaminhar a investigação e o tratamento mais adequados a cada pessoa. Afinal, entender o que o corpo comunica é o primeiro passo para viver com mais tranquilidade.








